As Loucas Aventuras Proféticas da Torre de Vigia – Parte 2 – William Gadelha

Copyright © 2003 William Gadêlha

Atualizado em 23/10/2020

Falsa Profecia Sobre as Nações Unidas

Uma das profecias mais conhecidas e destacadas do Corpo Governante refere-se a Revelação 17:3, que diz:

E ele me levou no poder do espírito para um ermo. E avistei uma mulher sentada numa fera cor de escarlate, que estava cheia de nomes blasfemos e que tinha sete cabeças e dez chifres.

Este texto é explicado em A Sentinela, 1o de novembro de 1975, página 654:

A Bíblia apresenta “Babilônia, a Grande”, como montada numa “fera” cor de escarlate. Esta fera simboliza a organização mundial de paz e segurança conhecida agora como Nações Unidas. É chamada de “oitavo rei”, de Oitava Potência Mundial da profecia bíblica. — Rev. 17:1-11.

A fera cor de escarlate, portanto, era a Organização das Nações Unidas. Explicando o papel dessa fera, o livro Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna, página 106, diz:

15 Como este sistema acabará? A Bíblia prediz uma “grande tribulação” que começará com um ataque desferido pelo elemento político deste mundo [isto é, a ONU] contra “Babilônia, a Grande“, o império mundial da religião falsa . . . Depois, Satanás, chamado de “Gogue da terra de Magogue”, usará homens corruptos para fazer um ataque total ao povo de Jeová. Mas Satanás não será bem-sucedido, porque Deus salvará Seus servos.

Como vimos, esta fera tem ativa participação em dois eventos: a destruição da “religião falsa,” Babilônia, a Grande, e o ataque final ao povo de Jeová (supostamente, as Testemunhas). Este era o ensino oficial da Torre de Vigia. Que a fera toma parte neste segundo evento pode ser confirmado em Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo, páginas 279, 280:

2 O ataque feroz do Diabo é vividamente descrito no capítulo 38 de Ezequiel. Ali, o rebaixado Satanás é chamado de “Gogue da terra de Magogue”. Jeová põe ganchos figurativos nas maxilas de Gogue, puxando a ele e suas numerosas forças militares ao ataque. Como faz isso? Por fazer Gogue encarar Suas testemunhas como povo indefeso, “reunido dentre as nações, que está acumulando riqueza e bens, morando no meio da terra”. Este povo ocupa o centro do cenário na terra, como o único que se nega a adorar a fera e sua imagem. Sua força e prosperidade espirituais enfurecem a Gogue. De modo que Gogue e sua numerosa força militar, inclusive a fera que ascendeu do mar com seus dez chifres, afluirão todos para aplicar o golpe final. O povo limpo de Deus, porém, dessemelhante de Babilônia, a Grande, tem proteção divina! — Ezequiel 38:1, 4, 11, 12, 15; Revelação 13:1.

Gogue representa Satanás, que, de fato, controla a fera, para que esta execute seu propósito. Isto resulta em que a ação de Gogue e da fera de sete cabeças e dez chifres é realmente uma só, e não ações separadas. O conceito de que a fera representou a extinta Liga das Nações e depois a ONU é antigo, existe pelo menos desde 1926, como registra A Sentinela de 15 de junho de 1972página 366, parágrafo 4. Era, pois, um ensino com cerca de 80 anos de existência. A ação de Gogue (ou da fera) pode ser confirmada em A Sentinela, 1/7/71, pp. 402-403, 15/3/76, p. 168; “Caiu Babilônia a Grande!” (1972), pp. 160, 178; O Homem em Busca de Deus (1990), página 370; Clímax de Revelação, p. 248, par. 6, p. 256, par. 17; Preste Atenção à Profecia de Daniel (1999), pp 282-285.

Em data tão recente como o ano 2000, o livro Profecia de IsaíasVolume I, páginas 153 a 154, afirmava:

20 A quem Jeová usará para disciplinar a rebelde cristandadeA resposta está no capítulo 17 de Revelação (Apocalipse). Apresenta-se ali uma meretriz, “Babilônia, a Grande”, que representa todas as religiões falsas do mundo, incluindo a cristandade. A meretriz está sentada numa fera cor de escarlate com sete cabeças e dez chifres. (Revelação 17:3, 5, 7-12) A fera representa a organização das Nações Unidas.* Assim como o assírio do passado destruiu Samaria, a fera cor de escarlate ‘odiará a meretriz e a fará devastada e nua, e comerá as suas carnes e a queimará completamente no fogo’. (Revelação 17:16) Assim, o assírio moderno (as nações ligadas à ONU) aplicará um duro golpe contra a cristandade e a extinguirá.

21 Será que as Testemunhas fiéis de Jeová perecerão junto com Babilônia, a Grande? Não. Deus não está descontente com elas. A adoração pura sobreviverá. Contudo, a fera que destruirá Babilônia, a Grande, gananciosamente voltará seus olhos também para o povo de Jeová. Ao fazer isso, a fera não executará o pensamento de Deus, mas sim de outro persona-gem. De quem? De Satanás, o Diabo.

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 . . . Ao tentar aniquilar o povo de Jeová, o assírio moderno estará na verdade lutando contra Jeová Deus e o Cordeiro, Jesus Cristo . . . Como o assírio do passado, a fera cor de escarlate ‘irá para a destruição’. Não mais será temida.

Confirmou que a fera cor de escarlate (também chamada de “assírio moderno”) participa não só da destruição da meretriz babilônica como da ‘tentativa de aniquilação’ do “povo de Jeová”.

Veio então A Sentinela de 1o de junho de 2003, página 20, párágrafo 10, que diz:

Quem chefiará o ataque de Gogue?

11 Gogue de Magogue é identificado como sendo Satanás, o Diabo, na sua condição rebaixada desde 1914. Ele, como criatura espiritual, não pode executar seu ataque diretamente, mas usará agentes humanos para fazer issoQuem serão esses agentes humanosA Bíblia não nos fornece pormenores, mas nos dá certos indícios que podem nos ajudar a identificar quem serão. Ao passo que se desenrolam os acontecimentos mundiais em cumprimento das profecias bíblicas, aos poucos obteremos um quadro ainda mais claroO povo de Jeová evita especulações, mas continua espiritualmente vigilante, plenamente apercebido dos acontecimentos políticos e religiosos que se encaixam no cumprimento da profecia bíblica.

Embora a linguagem não esteja muito explícita (como costuma fazer a Sociedade quando lhe convém) algo ficou bem claro. Durante décadas e até há pouco, como provam as publicações já citadas, o Corpo Governante sabia e ensinava que a ONU (a fera política cor de escarlate, usada por Gogue) destruiria a religião e empreenderia o ataque final contra “o povo de Jeová”. Agora, com esta revista, e com as palavras “A Bíblia não nos fornece pormenores”, ela vem reconhecer que não sabe mais quem serão os agentes atacantes humanos.

Na verdade, embora a Sociedade ensinasse isso desde os anos 20, ‘a Bíblia nunca forneceu esses pormenores’ mas as Testemunhas de Jeová foram levadas pelo Corpo Governante a crer que esta era a profecia correta: a ONU destruiria a “religião falsa” e depois atacaria as Testemunhas de Jeová, sendo então destruída por Deus. A profecia de Revelação certamente ainda se cumprirá, mas não a dos homens de Brooklyn. Agora, terão de esperar os acontecimentos mundiais para ‘obter um quadro mais claro’. Os adeptos da organização já não poderão ensinar tal coisa às pessoas, e alguns, os mais conscientes, terão muito o que pensar quanto à certeza do ‘alimento’ proveniente do suposto “escravo fiel e discreto.” Consciente de que essa mudança pode dar o que falar, o parágrafo acima diz: “O povo de Jeová evita especulações”. Na linguagem típica das publicações da organização, isto significa a condenação de comentários em torno do assunto, algo a temer por parte da Torre de Vigia, que afirma exercer papel profético. Num tom de grande sabedoria aconselha a ‘evitar especulações’, enquanto ela mesma especulou durante oito décadas.

Vale a pena, porém especular, sobre os motivos da mudança. Terá sido porque nunca pareceu tão improvável que agora ou num futuro próximo os estados políticos se voltem contra a religião? Ou porque a recente guerra dos EUA contra o Iraque, apesar da oposição da ONU, deixou esta totalmente enfraquecida para cumprir o papel que a Torre de Vigia lhe reservava? Ou será que a Sociedade, que até recentemente e em segredo fazia parte de uma lista de organizações não-governamentais comprometidas em apoiar a ONU e dela receber certos favores resolveu mudar de posição? Quando o fato foi amplamente divulgado ela retirou às pressas seu nome da lista, mas talvez ainda esteja interessada em receber as benesses da organização política mundial, e como poderia fazê-lo se continuasse a afirmar em suas publicações que esta ocupa uma posição tão negativa nas profecias bíblicas?

Ao passo que todas estas não passam de conjecturas, fica a certeza de que mais uma falsa profecia humana teve de ser desfeita, como aconteceu com outras que o tempo se encarregou de anular, e como certamente ainda acontecerá nos próximos anos.