Novíssima Luz sobre o “Escravo Fiel e Prudente” – William Gadelha

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Atualizado 2021

 

Em setembro de 2012 surgiu uma “novíssima luz” sobre o Escravo Fiel e Prudente, o que exige uma atualização de nossos comentários.

Anteriormente A Sentinela de 1º de março de 2004, p. 10, afirmava:

Portanto, a expressão “escravo fiel e discreto” refere-se a todos os membros dessa ungida nação espiritual como grupo na Terra em qualquer época desde 33 EC até agora, assim como todo israelita que vivia em qualquer época desde 1513 AEC até o Pentecostes de 33 EC era parte da classe do “escravo” da era pré-cristã.

E os domésticos mencionados na parábola, quem eram? Na mesma revista, página 10, lemos:

No entanto, quem são os “domésticos”, que recebem do escravo a nutrição espiritual? No primeiro século EC, todo cristão tinha a esperança celestial. Portanto, os domésticos também eram cristãos ungidos, não considerados como grupo, mas como pessoas. Todos eles, inclusive os em cargos de responsabilidade na congregação, precisavam do alimento espiritual que o escravo fornecia.

Tudo isso foi ensinado tão recentemente quanto A Sentinela de 15 de junho de 2009, p. 21, que dizia:

Surge o escravo fiel…
A nova nação, “o Israel de Deus”, compõe-se de israelitas em sentido espiritual, ou simbólico. (Gál. 6:16; Rom. 2:28, 29; 9:6) Ela veio à existência com o derramamento do espírito de Deus no Pentecostes de 33 EC. Depois disso, todos os cristãos ungidos por espírito se tornaram parte dessa nação que passou a servir como escravo coletivo designado pelo Amo, Jesus Cristo. Todo membro dessa nação recebeu a incumbência de pregar as boas novas e fazer discípulos.
Portanto, com o derramamento do espírito, todos os cristãos do primeiro século eram parte do escravo fiel e discreto.

Sim, era esse o ensino! Qualquer TJ que ousasse discordar disso, seria expulsa!

Testemunhas indo aos Congressos, Assembleias e Reuniões ouviam esse ensinamento registrado no site oficial das Testemunhas de Jeová (link a seguir).

As Testemunhas sabiam que essa era uma doutrina sólida e básica da Torre de Vigia, até pouco tempo antes dessa mudança. Pode conferir isso no site da Torre de Vigia em http://www.jw.org/pt/noticias/eventos-e-atividades/relatorio-reuniao-anual-2012/, uma fonte oficial dessa organização (Torre de Vigia):

Então é lógico concluir que o “escravo fiel e discreto” deve ter aparecido depois do início da presença de Cristo em 1914.
Além disso, Jesus indicou que esse “escravo” apareceria durante um tempo em que faria sentido perguntar: “Quem é realmente o escravo fiel e discreto?” Visto que os apóstolos de Jesus tinham dons milagrosos do espírito santo, praticamente não havia motivo para fazer essa pergunta no primeiro século EC. (1 Coríntios 14:12, 24, 25) Embora fossem ungidos pelo espírito santo, os apóstolos e outros cristãos do primeiro século não eram o “escravo fiel e discreto” profetizado por Jesus.

Até aqui vimos quem era OUTRORA o “Escravo” e quem não é mais. Os “apóstolos e outros cristãos do primeiro século” FORAM DESLIGADOS da classe do Escravo Fiel e Prudente. Vejamos a versão atualizada para saber QUEM É AGORA O “Escravo” na notícia publicada no site da Torre de Vigia:

As evidências apontam para a seguinte conclusão: o “escravo fiel e discreto” foi designado sobre os domésticos de Jesus em 1919. Esse escravo é o pequeno grupo de irmãos ungidos que servem na sede mundial durante a presença de Cristo e que estão diretamente envolvidos na preparação e distribuição do alimento espiritual. Quando os membros desse grupo trabalham em conjunto como Corpo Governante, eles atuam como o “escravo fiel e discreto…” (agora chamado de “Escravo Fiel e Prudente”).

E os “novos” domésticos, na versão atualizada, quem são? Assim diz o site:

Quem são os “domésticos”? Jesus disse que “seus domésticos” receberiam “alimento no tempo apropriado”. Todos os seguidores verdadeiros de Jesus são alimentados pelo “escravo fiel e discreto”. Portanto, todos os discípulos de Cristo, quer ungidos individuais, quer membros das “outras ovelhas”, são “seus domésticos”.

Então, como toda TJ bem versada nos ensinos de sua religião deve recordar, o Escravo Fiel e Prudente era composto por todos os “ungidos” que houvesse na terra. Foi isso o que muitas Testemunhas aprenderam e ensinaram. Se muitos que saíram ainda estivessem lá, certamente estariam agora se sentindo tolos e se perguntando como uma importante “verdade” bíblica se tornou inverdade da noite para o dia.

Com essa “novíssima” luz, avalio que alguns foram, por assim dizer, “rebaixados” de posição: os apóstolos e demais cristãos do primeiro século e os “ungidos” em geral dos séculos 19, 20 e 21. Charles Russell, por exemplo, era da classe do “Escravo” ou (como se chegou a ensinar) era o próprio “Escravo” e agora deixou de sê-lo, já que morreu antes de 1919.

Já outros foram, por assim dizer, “promovidos”, a saber, os membros das “outras ovelhas” que antes não eram da classe dos “domésticos” e AGORA PASSARAM A SER Interessante também foi a reação que a assistência mostrou a essa fabulosa notícia:

Depois que o orador explicou esse aspecto da profecia de Jesus, a assistência irrompeu num grande aplauso. Vários dos presentes mais tarde expressaram profunda gratidão por Jesus considerá-los como parte de “seus domésticos”.

Quer dizer então que foi Jesus o originador e a fonte dessa nova luz? Vejam só! O corpo governante faz e Jesus se torna o responsável por essa incrível mudança de posição do “Escravo Fiel e Prudente”. Se os presentes acharam que deviam agradecer a Jesus por se tornarem parte de “seus domésticos”, A QUEM SE DEVIA AGRADECER PELO ENSINO ANTERIOR, que não era verdadeiro?

Mais uma vez, ainda na minha avaliação, já que os membros do corpo governante estavam “cassando” o “privilégio” de tão grande número de pessoas não só do passado distante como do presente, acharam por bem mostrar que alguém tinha subido de posição, assim como se dissessem:

“Vejam, irmãos, nem tudo é uma queda de privilégio nesse nosso novo pacote. Muitos milhões subiram a uma nova posição, a de “domésticos!” 

Talvez agora mais alguns possam entender como é difícil levar a sério os ensinos e doutrinas recicladas que vêm dessa fonte e ver que ela não pode estar sendo dirigida por Deus. Conscientes de que o ensino antigo prevaleceu durante tantas décadas e agora foi solenemente substituído por outro, alguns fariam bem em se perguntar: “E quem garante que agora está correto?”

Esta “novíssima luz” foi passada para o grande público consumidor da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, os mais de 8 milhões de Testemunhas de Jeová. Por meio de um artigo de estudo de A Sentinela de 15 de julho de 2013, páginas 20-25.

Bem provável é que para muitos a mudança passe quase despercebida e alguns possam até dizer: “Como é maravilhoso e que grande privilégio é estarmos sendo cada vez mais iluminados por essa brilhante luz!” Afinal, as Testemunhas de Jeová são eficaz e regularmente treinadas para aceitar qualquer coisa provinda dessa fonte que se proclama o Escravo Fiel e Prudente. Muitos podem corretamente raciocinar: “Para todos os efeitos práticos, isso não muda nada.” Assim é, aparentemente. As decisões continuarão a vir do corpo governante, como há muito tempo vêm; profecias poderão ser novamente interpretadas e reinterpretadas, como sempre foram; doutrinas continuarão a ser modificadas, adaptadas e até totalmente reformuladas como por inúmeras vezes ocorreu. E muito importante é que agora, oficialmente, apenas os membros do corpo governante é que constituem o Escravo Fiel e Prudente. Se antes existia uma vaga possibilidade de que o CG consultasse outros das 11.000 Testemunhas de Jeová que ao redor do globo se declaram “ungidos” por participar dos emblemas do pão e do vinho na comemoração anual, essa possibilidade definitivamente não existe mais. O poder na Torre de Vigia está EXCLUSIVAMENTE nas mãos do corpo governante. Já era assim de fato e agora passou a ser oficialmente.

A pergunta que não pode deixar de ser feita, todavia, é: Como pode isso acontecer numa religião que há mais de cem anos se declara “dirigida” ou “guiada” por Deus? Teria realmente o Deus da Verdade deixado esse ensino falso permanecer por tantas décadas? E voltamos ao raciocínio já empregado tantas vezes nessa página “Testemunha”: SE o que se ensinou a várias gerações de Testemunhas de Jeová foi agora modificado, é porque ISSO ESTAVA ERRADO. A liderança do corpo governante, quanto à questão do Escravo Fiel e Prudente, ESTAVA EM ESCURIDÃO. O ensino anterior que eles transmitiam à multidão das Testemunhas de Jeová ERA FALSO. E os milhões de Testemunhas de Jeová que receberam o antigo ensino e o passaram adiante, estavam passando adiante ENSINOS FALSOS. E tudo isso com a convicção de que ESTAVAM ENSINANDO A VERDADE. Convicção agora comprovada como totalmente SEM FUNDAMENTO. SE o bíblico escravo fiel e discreto mencionado por Jesus em sua parábola de Mateus 24:45-47 tinha como principal tarefa servir aos domésticos seu alimento no tempo apropriado, que espécie de alimento foi o ensino anterior, servido por tantas décadas? O que se pode dizer sobre a qualidade desse alimento? Seria esse o trabalho que mereceria a aprovação do amo Jesus expressa nas palavras “Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim!”

Isso deve induzir à uma séria reflexão. Deve fazer com que as Testemunhas de Jeová bem intencionadas meditem sobre Efésios 4:13, 14:

…que todos alcancemos a unidade na fé e no conhecimento exato do Filho de Deus, como homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura que pertence à plenitude do Cristo, a fim de que não sejamos mais pequeninos, jogados como que por ondas e levados para cá e para lá por todo vento de ensino, pela velhacaria de homens, pela astúcia em maquinar o erro.

Que cada TJ sincera possa refletir de modo sóbrio sobre quão mirabolantes, fantasiosos e inconstantes são os ensinos desses homens que se auto-elegeram “porta-vozes de Deus na Terra” e até criaram um Corpo Governante que legisla e governa a vida de milhões de membros mundo afora…